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CAMPEONATO DA LÍNGUA PORTUGUESA

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Quadro das pontuações do 1.º teste de qualificação
Campeonato da Língua Portuguesa
campeonato de língua portuguesa
DATAS

26-01-2008 | Publicação do 1.º teste de qualificação neste sítio web.

 

31-01-2008 | Data limite para recepção do 1.º teste de qualificação. Fazem fé a data de carimbo dos correios ou o envio até às 18horas via sítio web.

 

02-02-2008 | Publicação da correcção do 1.º teste de qualificação neste sítio web.

 

09-02-2008 | Publicação do 2.º teste de qualificação neste sítio web.

I Concurso Literário D. Duarte de Lemos

1º Edição do Concurso Literário

O Instituto Duarte de Lemos institui o Concurso Literário – Prémio D. Duarte de Lemos, prestando desta forma homenagem ao senhor da terra da Trofa, promovendo igualmente o aparecimento de jovens escritores.
Os participantes devem frequentar o 3º Ciclo do Ensino Básico.

Entrega de Trabalhos: Até ao dia 31 de Março

Regulamento

Ficha de Inscrição

Portugal pede adiamento de 10 anos para entrada em vigor do acordo ortográfico

 

Portugal vai pedir um prazo de dez anos para a entrada em vigor do Acordo Ortográfico, anunciou  no Parlamento a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima. A ministra da Cultura justificou este pedido pelo facto de este acordo exigir diversas alterações, incluindo as que serão feitas em manuais escolares e na edição de livros em geral.

Portugal já ratificou o Acordo Ortográfico, mas tem ainda de ratificar o segundo protocolo modificativo do documento, o que, segundo Isabel Pires de Lima, deverá acontecer até ao final do ano.

Ler:

Portugal pede dez anos para aplicação de acordo

Acordo Ortográfico: Portugal vai pedir moratória de 10 anos

Fundação Samarago assinala 85 anos do escritor

 

A Fundação José Saramago vai celebrar durante o mês de Novembro os 85 anos do escritor e os 25 anos da publicação do livro «Memorial do Convento», que terá uma edição especial.

As comemorações vão decorrer em Espanha, a 16 de Novembro, data real do aniversário de Saramago, e em Portugal a 18 de Novembro, dia que consta dos seus documentos como sendo a data de nascimento.

Em Lisboa, no São Jorge, haverá um espectáculo com leitura de textos do «Memorial do Convento».

Em Portugal, vai ser lançada uma edição especial de «Memorial do Convento» com uma capa que assinala os seus 25 anos e uma oferta de um opúsculo reunindo as críticas literárias que saíram na altura em que o livro foi publicado.

Curiosidades...
A Origem do Pai Natal
 

Foi o S. Nicolau que inspirou o Pai Natal.
Encontramos, na representação do Pai Natal, todo o simbolismo da personagem de S. Nicolau:
S. Nicolau ocupa um lugar priviligiado na tradição popular do Norte e do Leste da França, da Bélgica, da Holanda e do Luxemburgo. Na origem, S. Nicolau era o Santo Bispo de Myre (Lycie, Ásia Menor). A sua grande popularidade deve-se, essencialmente,  à sua lenda. Não se conhece quase nada da sua vida. Foram-lhe atribuidos  muitos milagres: salvou três oficiais condenados injustamente; interviu para preservar a honra de três donzelas; salvou  barcos a afundarem-se; ressuscitou crianças, etc...
A festa de S. Nicolau - é ela que explica a importância que  lhe dedicam alguns países da Europa - próxima do Solstício de Inverno, os serões entre mulheres, para a preparação dos próximos casamentos, a matança do porco (animal que representa um antigo símbolo pagão do mundo celta e germânico) assinalam uma passagem decisiva da vida na Terra e na existência daqueles que dela vivem. Antigos rituais de fecundidade estão na origem dos "charivaris" organizados pelos homens mais jovens destinados a assustar as jovens mulheres evocando o espírito dos mortos.

Ao longo dos anos, esta prática degenerou e tornou-se na festa contemporânea das crianças. A barba branca comprida de S. Nicolau encontramo-la no Pai Natal, a mitra de bispo transformou-se em boné, o casaco vermelho comprido encolheu. O Pai Natal viaja num trenó puxado por renas.
S. Nicolau viajava montado num burro. por este motivo, em algumas regiões de França, as crianças colocam debaixo do pinheiro de Natal, um copo de vinho para o Pai Natal e uma cenoura para o burro. O companheiro de S. Nicolau (que se chamava o "Père Fouettard", "Dame Perchta", "Hans Trapp" ou "Frau Hollé", consoante as regiões) participa directamente no simbolismo da fecundidade. Na lenda o "Père Fouettard" "o chicotadas" acompanhava-o para repreender as crianças que não se portaram bem.
A lenda instalou-se em toda a França e na Europa, e cada país ou região introduziu-lhe certas particularidades locais para uma melhor identificação da personagem.

 

Cada região de França adaptou a lenda de S. Nicolau à sua maneira e deu-lhe um nome diferente.

" Chalande" na  Savoie,
" Père janvier " na Bourgogne e em Nivernais,
" Olentzaro " no país basco
ou ainda
" Barbassionné " na Normandia.
Bom Português

 

Erros mais frequentes

ACERCA
...e não "àcerca".
ACERVO
Dif. de espólio (que se refere aos bens pós-morte).
AÇORIANO
...e não "açoreano". Cf. GENTÍLICOS. [Outras palavras com o i normalmente trocado pelo e: ameixial, artífice, cabo-verdiano, camoniano, definido, lampião, oficina, suficiente.]
ADERÊNCIA
Dif. de adesão.
ADN
...de ácido desoxirribonucleico, e não DNA (que é à inglesa).
AERO
Prefixo que nunca se emprega com hífen [aeroporto, aeroplano, aerotransportado]. Cf. HÍFEN.
AFIM
Dif. de a fim.
ALCOOLEMIA
... e não "alcoolémia", tal como dizemos LEUCEMIA e não "leucémia".
ALÉM/AQUÉM-
Prefixos acentuados, sujeitos sempre ao emprego do hífen. [além-fronteiras, aquém-Pirenéus]. Cf. HÍFEN.
ANTEPOR
...e não "antepôr". Cf. COMPOR.
ANTI-
Cf. As regras do hífen I e As regras do hífen II.
APARTE
Sem acento. Dif. de à parte.
Projectos de Escrita

 

Asa, 2007

texto descritivo da imagem

Este livro assenta num pressuposto claro: a escrita — estética ou utilitária — não decorre de um jeito, dom ou intuição. A escrita é um desempenho que tem de ser ensinado e treinado. Com que sistema? Com que regulação?

Parte da resposta encerra-se nas propostas de programação e nos materiais aqui reunidos — trabalho desenvolvido por vários professores de escolas da periferia do Porto e coordenado por Sónia Rodrigues1. Professores e alunos encontrarão aqui percursos de ensino/aprendizagem da escrita de contos, recriações poéticas, antologias poéticas, textos dramáticos, crónicas, textos expositivos-explicativos.

1 Sónia Rodrigues é consultora do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

Contos

 Conquista Inútil

 

Há duas condições para se escreverem boas histórias, disseram-me: devem ser breves e verdadeiras.

Uma boa história conta episódios carregados de singularidade extrema ou de incredibilidade profunda. A originalidade da vida e das pessoas suspensa no dizer da memória.

Sou absolutamente anónima e não pertenço a qualquer associação não governamental de contadores de histórias. Tenho apenas uma história simples, sobre um tempo simples, um tempo tão doce e tão denso como a própria imutabilidade da lembrança. Há factos que transcendem a nossa capacidade para os conhecermos ou compreendermos objectivamente, mas que, apesar disso, são factos.

A D. Albina foi sempre uma aflição na minha vida. A minha professora da escola primária obrigava-me a viver no purgatório e fazia tudo para a transformar num inferno. Uma aflição de que ainda, até há bem pouco tempo, padecia. Quando a figura boçal aparecia num passeio traiçoeiro, empurrava-me para trás de um qualquer carro, a adivinhar-lhe o troar da caminhada inconfundível, a rezar a “Estrelinha Gloriosa”, cronometrando a esperança de não me espetar um beijo pintado de vermelho-cereja, a cheirar a naftalina. Se me enganasse a pronunciar a oração, prometida estava a saudação que reservava só para mim: «O que é que estás para aí fazer agachada? Sempre no ar, rapariga!».

Eu perdia tudo. Quer dizer quase tudo e, quando não perdia, fazia desaparecer. Tudo o que me vinha parar às mãos tinha, invariavelmente, um de dois destinos: ou desaparecia misteriosamente, ou a minha irmã fazia desaparecer de propósito. A Providência, ocupada em restaurar perdas mais importantes, não escutava as minhas preces. A minha mãe dizia-me que era distracção de génio. E eu ficava feliz.

Qual era a cor da minha aflição? O branco, mas o da minha bata da escola primária. A que cheirava? A papel amarrotado, de tantas vezes que eu apagava nele, com a borracha já a ferver, uma frase que tremia de medo por não ser, gritava-me a D. Albina, modesta. A que sabia a aflição? Ao meu grito mudo, quando tinha de me levantar para suportar, mais um dia, a D. Albina. Pregava os olhos na minha mãe à espera que me adivinhasse uma febre súbita. Um pequeno jogo que costumávamos jogar, mas sempre com o mesmo resultado.

Lembro-me que foi a uma segunda-feira à tarde e chovia. O frio corroía, desfiando qualquer agasalho mais forte.

Cheguei a casa, depois das aulas e de uma interminável caminhada pelas pantanosas poças de água. Havia sulcos e trilhos profundos na lama, onde me afundava. Mas ia para casa e isso é que era importante.

- Mamã! A cerimónia da festa de Natal…lá na escola…

A minha mãe fixou-me, francamente confusa:

- Leonor, onde é que deixaste a bata?

Inclinei-me e vi as botas de borracha vermelhas, as calças salpicadas de lama, o pesado casaco. Fiquei tão perplexa quanto a minha mãe. Não trazia o figurino todo e o mais surpreendente é que eu não tinha dado por nada. Mais, lembrava-me perfeitamente de que levara a bata para a escola. E a minha mãe também.

- Vão dar-me o papel da Carochinha!

 Eu bem queria adiar o penoso interrogatório, mas o olhar de inquisidor-mor não desapareceu.

- Sim… – respondeu-me a “Inquisição” – …e a bata?

Corremos até à escola. Procurámos nos passeios e no recreio, nos corredores e na sala de aula, mas da minha bata branca, nada. Nem sinal!

 

A minha mãe respeitou o silêncio estóico do meu regresso a casa. Eu era um alvo demasiado fácil. Aliás, nunca respondia a provocações. Mantinha-me firme e permanecia distante. Mas havia fracturas nesta minha armadura e as lágrimas gordas caíam, sulcando devagar a minha cara fria. Sempre chorei assim…devagarinho.

            - Então, minha Carochinha, conta lá…

            - É verdade Mamã! A D. Albina, sabes, convidou-me para ser a Carochinha…a do João Ratão! Vamos ensaiar e representar na festa de Natal. Não é “fantabuloso”, Mamã? – fervia de entusiasmo.

            - Isso é mais do que “fantabuloso”! Pedimos à Avó que te faça o fato da Carochinha. Serás a mais bela de todas, nem precisarás do pregão: “Quem quer casar com a Carochinha, que é bonita e formosinha?”.

            - Mas o mais giro, Mamã, é que a Senhora Professora pediu que escrevêssemos, NÓS, as nossas falas! – o meu sorriso borbulhava  de alegria.

Agachou-se até ficar do meu tamanho. Do meu mundo a minha mãe percebia e, quando descia até a mim, eu sabia que a minha pequenez era, por enquanto, um acidente geográfico.

O grande dia chegara e eu preparara, freneticamente, o meu texto de Carochinha.

Já muito nervosa, vesti o magnífico fato de Carochinha feito pela minha avó. Estava mesmo como eu imaginara. Sentia, no entanto, que me faltava algo: as antenas de carochinha! Procurei-as debaixo da cama, mas delas nada. Não havia tempo a perder. Não podia chegar atrasada ao ensaio. Eu era a actriz principal. Ia mostrar que, apesar da minha distracção de génio (prefiro lembrar-me daqueles “acidentes” desta forma), era capaz de deixar cair a “carne” em cima de um palco!

Veloz, atirei-me para as escadas e, sem saber como, logo me encontrei na escola.

A minha entrada foi entusiasticamente aplaudida. Os meus amigos da terceira

classe borboleteavam à minha volta e a áurea de protagonismo coroava a minha figura. 

Rodopiava, agora, em cima do estrado, como se desfilasse numa passarela, pousando e sorrindo, exibindo o meu texto, lendo para todos os que prestavam atenção. Quem sabe, talvez não reparassem que eu não tinha as antenas de carochinha. A D. Albina perseguia a minha cabeça em silêncio. O sorriso pregado no rosto convidava-me a seguir. E eu continuei. Mas a D. Albina exigiu as minhas antenas. Sem elas não havia peça. Não, D. Albina, o importante é o texto, sublinhei. «Repare só como ele se adapta à história verdadeira!». E eu continuei a minha leitura pelo estrado fora, tal e qual um modelo, evitando o assunto das antenas desaparecidas.

Sabia, porém, que já não havia antenas nenhumas. A D. Albina respondia-me com risinhos e eu pensei que estava adorável e que era adorada. Voltámos à questão das antenas mais uma, ou duas vezes, e, ainda a rir-se, a D. Albina, sem mais nem menos, pregou-me um estalo com toda a força e eu não compreendi porquê. Ao ouvir o som único da sua mão na minha cara, senti que a sua raiva me feria como uma lâmina. Aquele estalo estilhaçara-me para sempre.

Fiquei pregada ao estrado. A chorar, colei a mão suada ao fogo da cara. E, nesse preciso momento, ela tirou as antenas de um saco que eu reconheci ser lá de casa. A minha mãe, preocupada, tinha levado as antenas à escola. A D. Albina, espreitando-me, por cima dos óculos, disse-me: «Pode ser que agora aprendas a não ser descuidada e a não perder as coisas!».

Sou uma mulher adulta agora e continuo a perder coisas.

A lição que a Dona Albina me deu, naquele dia, não foi uma lição de responsabilidade. A lição que ela me deu foi que não devia ter confiado no seu sorriso, porque a memória dele, ainda hoje, fere e abre fissuras.

 

Gisela Pena

História do Dia
 
Para quem não tem tempo para ler um livro, aqui fica uma história diferente todos os dias.
 
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