Adaptação feita pela Inês Cunha
Em Junho de 2006
A estrelinha, no céu do verão, observava o mundo, onde dormiam os homens, os animais e as flores.

- Ah! como eu gostaria de fazer uma viagem – suspirou ela piscando os olhos. – Aqui, não sirvo para nada. Noutro lugar, talvez alguém esteja à minha espera!...
Era uma pequena estrela audaciosa e decidida.
Frttt! Uma luz deslizou a toda a velocidade através da noite.
A estrela corria para a terra dos homens.
De repente parou. A estrelinha tinha chegado ao mar. E foi empoleirar-se no alto do mastro de um barco.
- O que estas aqui a fazer? Perguntou o marinheiro rezin-gão. - Deves querer fazer-me perder a rota. Só preciso de uma estrela a estrela polar que me indica o norte. - Vai-te embora.
Frttt! E lá se foi a voar pelo azul da noite.
- Não tenho sorte nenhuma – suspirou a estrelinha retomando o seu caminho. E foi cair na areia fina à borda de um ribeiro. Ouviu uma voz grossa que a fez sobressaltar.
- Não é possível! Uma pepita de ouro. Nunca vi uma tão grande .
Ah! Ah! Ah! Estou rico. Anda, minha linda, vou-te fechar num lugar seguro.
A enorme mão do pesquisador de ouro avançava para ela. Mas ela fugiu entre os dedos que a queriam fazer prisioneira.
Frrrr! Elevou-se no espaço e subiu, subiu, subiu até perder as forças. Acabou por reencontrar o seu lugar no veludo escuro do céu, gemendo:
-A terra não precisa de uma estrela. Ninguém olha para mim. Ninguém gosta de mim e não sirvo para nada!
Nesse mesmo momento, nalgum lugar lá em baixo, sob uma oliveira, havia alguém que não dormia.
Alguém olhava o céu. Era um pastor que sonhava.
Ele viu a estrela, tremendo ainda da sua aventura.
- Como é bonita – disse ele – brilha como nenhuma outra. Estrela desconhecida, serás a minha. Tu me soprarás a tua poesia. Vou escrevê-la e cantá-la.
Suavemente, o poeta pegou na flauta e, aos olhos da sua estrela tocou e cantou a sua mais bela canção.
Lá no alto, a estrelinha palpitava… de felicidade.